segunda-feira, 3 de março de 2014

A Dança da Psiquê

 A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde.
Os espaços, as cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombara, cedendo à ação de ignotos pesos!
É então que a vaga dos instintos presos
— Mãe de esterilidades e cansaços —
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.
Subitamente a cerebral coréa
Pára. O cosmos sintético da idéa
Surge. Emoções extraordinárias sinto...
Arranco do meu crânio as nebulosas
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!


Augusto dos Anjos

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