Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de
estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino,
debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre
iguais e sempre diferentes, como, afinal, as
paisagens são.
Se
imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da
imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.
“Qualquer
estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do
mundo”. Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a
volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do
mundo, como o principio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as
paisagens tem paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio,
são; se são, vejo-as como ás outras. Para que viajar? Em Madrid, em
Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em
mim mesmo, e no tipo e gênero das minhas sensações?
A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.
( Fernando Pessoa )
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Verbo Ser
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.
( Carlos Drummond de Andrade )
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.
( Carlos Drummond de Andrade )
Eu escrevi um poema triste
Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
( Mario Quintana )
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
( Mario Quintana )
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
O Primo Basílio
... tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira
vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho
dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido
que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si
mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente
interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo
condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de
sensações!
Ergueu-se de um salto, passou rapidamente um roupão, veio levantar os transparentes da janela... Que linda manhã! Era um daqueles dias do fim de agosto em que o estio faz uma pausa; há prematuramente, no calor e na luz, uma certa tranqüilidade outonal; o sol cai largo, resplandecente, mas pousa de leve; o ar não tem o embaciado canicular, e o azul muito alto reluz com uma nitidez lavada; respira-se mais livremente; e já se não vê na gente que passa o abatimento mole da calma enfraquecedora. Veio-lhe uma alegria: sentia-se ligeira, tinha dormido a noite de um sono são, contínuo, e todas as agitações, as impaciências dos dias passados pareciam ter-se dissipado naquele repouso. Foi-se ver ao espelho.
Ergueu-se de um salto, passou rapidamente um roupão, veio levantar os transparentes da janela... Que linda manhã! Era um daqueles dias do fim de agosto em que o estio faz uma pausa; há prematuramente, no calor e na luz, uma certa tranqüilidade outonal; o sol cai largo, resplandecente, mas pousa de leve; o ar não tem o embaciado canicular, e o azul muito alto reluz com uma nitidez lavada; respira-se mais livremente; e já se não vê na gente que passa o abatimento mole da calma enfraquecedora. Veio-lhe uma alegria: sentia-se ligeira, tinha dormido a noite de um sono são, contínuo, e todas as agitações, as impaciências dos dias passados pareciam ter-se dissipado naquele repouso. Foi-se ver ao espelho.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Coisas que eu sei
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer
Na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado
Pra visitação..
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer
Na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado
Pra visitação..
Aonde quer que eu vá
''Não sei bem certo se é só ilusão, se é você ja perto ou se é intuiçao.''
-Paralamas do sucesso
-Paralamas do sucesso
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Xena and Gabrielle -Xena Warrior Princess
“Tem momentos que olho para você
e fico sem saber o que dizer.
Minha língua se cala,
e o fogo corre sob minha pele e tremo.
E fico pálida porque morro de amor.
Ou pelo menos é isso que sinto.”
e fico sem saber o que dizer.
Minha língua se cala,
e o fogo corre sob minha pele e tremo.
E fico pálida porque morro de amor.
Ou pelo menos é isso que sinto.”
Me Beija
"Deixa o que for te acontecer
Sua insegurança lentamente vai parar
De te esconder
Viva e não tenha medo não
Que a pose é a medida
De toda a nossa pretensão
Livre os teus gestos de ensaiar
Felicidade é coisa que não dá
Pra se premeditar
Calma não há nada a conseguir
Nem vitória, nem derrota
Nem troféu pra exibir
Deixa o teu riso aparecer
Não dissimule nada sem pensar como se defender
Deixa essas coisas para trás
A vida é bem mais simples
Do que geralmente a gente faz
Me beija, na rua a lua apareceu
Você, a lua, a rua e eu..."
-Lobão
Sua insegurança lentamente vai parar
De te esconder
Viva e não tenha medo não
Que a pose é a medida
De toda a nossa pretensão
Livre os teus gestos de ensaiar
Felicidade é coisa que não dá
Pra se premeditar
Calma não há nada a conseguir
Nem vitória, nem derrota
Nem troféu pra exibir
Deixa o teu riso aparecer
Não dissimule nada sem pensar como se defender
Deixa essas coisas para trás
A vida é bem mais simples
Do que geralmente a gente faz
Me beija, na rua a lua apareceu
Você, a lua, a rua e eu..."
-Lobão
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo, derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com caras de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo
Que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas mini-certezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar, fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar os blues
Com o pastor e o bumbo na praça.
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Sentimento avulso
Sentimento avulso esse.
É como um sopro de vida que te mata e te da vida ao mesmo tempo.
Suga até seu último suspiro enquanto você tenta acalmar seu coração com batidas descompassadas.
É como um sopro de vida que te mata e te da vida ao mesmo tempo.
Suga até seu último suspiro enquanto você tenta acalmar seu coração com batidas descompassadas.
"Existem
pessoas que chegam assim, sem avisar, sem pedir licença. De repente,
como num piscar de olhos, já fazem parte de seus planos e tudo aquilo
que é capaz de alimentar em você cada sensação de bem estar e aconchego.
A chegada/permanência dessas pessoas em nossas vidas, talvez não seja uma questão de escolha, mas talvez o acaso também não exista - pra mim ele se tornou abstrato há muito tempo. Talvez tudo seja realmente questão de lógica, matemática, DESTINO. Não se foge de um. Não se ignora aquilo que um dia foi preparado(a) para te encontrar... seja um trabalho, uma amizade, uma conquista, um amor.
Uma vez que um certo vínculo se estabelece, a certeza que podemos carregar em cada um de nós é que um dia, seja lá em qual plano ou dimensão, os corações se encontrarão novamente.
Alimente, cuide, abrace o que lhe faz bem e deixe livre . Certamente será recompensada com gozo. Certamente a leveza permanente nisso lhe trará benefícios mútuos.
Eu quero... Você quer?
Então me encontre... Me reencontre... Me reconheça!!!
E assim, no joguinho de BEM ME QUER x MAL ME QUER, vamos nos isentando juntas das pétalas que não cabe em nós."
Angélica Luizz
A chegada/permanência dessas pessoas em nossas vidas, talvez não seja uma questão de escolha, mas talvez o acaso também não exista - pra mim ele se tornou abstrato há muito tempo. Talvez tudo seja realmente questão de lógica, matemática, DESTINO. Não se foge de um. Não se ignora aquilo que um dia foi preparado(a) para te encontrar... seja um trabalho, uma amizade, uma conquista, um amor.
Uma vez que um certo vínculo se estabelece, a certeza que podemos carregar em cada um de nós é que um dia, seja lá em qual plano ou dimensão, os corações se encontrarão novamente.
Alimente, cuide, abrace o que lhe faz bem e deixe livre . Certamente será recompensada com gozo. Certamente a leveza permanente nisso lhe trará benefícios mútuos.
Eu quero... Você quer?
Então me encontre... Me reencontre... Me reconheça!!!
E assim, no joguinho de BEM ME QUER x MAL ME QUER, vamos nos isentando juntas das pétalas que não cabe em nós."
Angélica Luizz
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Trecho da musica: Aqui - Ana Carolina
Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim
Certo ou errado, eu quero ter você
Você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim
Ah Anaaa! *-*
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Vazio.
Como fazer meus dias valerem a pena, quando falta algo? quando falta alguem?
Quando se tem um vazio que nem mesmo as bebidas mais fortes são capazes de suprir.
Quando qualquer lugar que eu vá te imagino ali comigo, quando te encontro nos versos que leio e nem mesmo durmindo consigo te esquecer.
Quando se tem um vazio que nem mesmo as bebidas mais fortes são capazes de suprir.
Quando qualquer lugar que eu vá te imagino ali comigo, quando te encontro nos versos que leio e nem mesmo durmindo consigo te esquecer.
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